INCLUSÃO EM DISCUSSÃO
Dvânia Venâncio Costa.
INTRODUÇÃO: A escola precisa ser fortalecida na construção de uma visão escolar verdadeiramente inclusiva, fundamentando-se na celebração da diversidade, comprometendo-se com a aprendizagem de todos os alunos, considerando suas diferenças étnicas, de gênero, raça, sociais, de capacidades e interesses, de deficiência, religião... Para isso precisa ser mais política, e reconhecer o potencial da família e ambas engajarem-se na luta de uma Educação Inclusiva justa e verdadeira frente às políticas públicas que regem nosso país com o objetivo de adequá-las as reis necessidades de nossas escolas.
PALAVRAS-CHAVE: Educação Inclusiva. Governo. Comunidade escolar.
Apesar de o tema Educação Inclusiva estar em discussão há muitos anos por um variado número de profissionais que acreditam numa troca de experiências sem preconceitos, discriminação ou restrições quanto à busca de saberes epistemológicos e estes mesmos profissionais afirmarem que a interação pode favorecer a descoberta de habilidades e aprimorar conhecimentos já existentes dentro de todo indivíduo inserido num meio social marcado pela diversidade, precisamos lembrar que não há tempo para simplesmente discutirmos algo que já está provado e até sancionado em lei, precisamos sim, acordar para a busca da realização de tudo aquilo que até então está apenas teorizado.
Os profissionais em educação têm convivido com uma realidade marcante e distante de tudo o que se espera de uma educação inclusiva, pois convivem com situações delicadas, percebem no exercício do magistério que poderiam estar auxiliando seus educandos com maior qualidade, mas são logo impedidos devido ao despreparo profissional, o descaso das políticas governamentais e políticas educacionais retrógradas quando comparadas ao presente século.
Nossas escolas contam hoje com um número plausível de professores-educadores comprometidos com a educação inclusiva, acreditando no sucesso acadêmico de seus alunos e mesmo despreparados academicamente estes professores utilizam-se de experiências didáticas anteriores para facilitar e nortear suas novas estratégias de ensino, favorecendo a construção de uma aprendizagem significativa ao novo grupo de alunos.
Porém, muitos educadores se deparam com a insensibilidade das políticas governamentais que criam leis e não as colocam em pratica. Atitude esta, que muitas vezes leva a história da educação inclusiva ao fracasso, ao medo e a insegurança.
Comprova-se o acima citado quando verificamos número insignificante de construção de prédios escolares, comparando estes ao número da população existente na maioria dos municípios brasileiros, gerando em nossas escolas salas superlotadas, fator este, que contribui para uma educação desprovida da qualidade esperada.
Dispensado um olhar um pouco mais profundo no que se refere a Educação Inclusiva, podemos constatar que os prédios já existentes, em sua maioria não foram construídos e nem adaptados aos alunos com necessidades especiais, ficando caracterizado o descumprimento da lei.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 227, é dever do estado a “criação de programas de prevenção e atendimento especializado para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental, [...] facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos”, sabemos que tais obstáculos causam insegurança nos alunos dentro do próprio ambiente escolar, contribuindo assim para uma insatisfação interior e por sua vez prejudica a aquisição do saber.
Na Declaração de Salamanca ( UNESCO, 1994. ), afirma ainda que “ as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares, que a elas devem se adequar...” logo, Educação Inclusiva não pode ser concebida apenas como um sistema educacional paralelo ou segregado, mas como um conjunto de recursos que toda escola regular deverá dispor para atender à diversidade de seus alunos.
Analisando o quadro de funcionários, percebemos um fator que contribui para o insucesso da aprendizagem numa classe inclusiva.
Isso é notável quando uma classe inclusiva possui um número exagerado de alunos matriculados, o professor não conta com a ajuda de um auxiliar educacional, o que torna seu trabalho múltiplo e árduo. A ausência de especialistas como ( fonoaudiólogo, orientador, psicopedagogo, professor de educação física...) para nortear a ação didática do professor e facilitar a construção do saber do educando como também a falta de locais apropriados que aguçam a curiosidade e estimulam a busca do saber ( laboratório de informática, teatro, sala de recurso...) dos alunos, como também sua permanência na escola. Ambientes e profissionais citados acima são de grande importância numa escola inclusiva de qualidade, que busca a valorização do ensino e aprendizagem dos educandos e educadores ali inseridos.
É importante esclarecer que a morosidade educacional quanto à educação inclusiva principalmente, precisa ser refletida, pensada e repensada, já que acreditamos numa educação voltada para todos.
Beningá afirma que “ [.] somente um processo de reflexão é capaz de construir a cidadania, tanto do educando quanto do educador[...]”. Precisamos levar em consideração a luta frente às políticas governamentais que regem nosso país, delegando também as famílias que lutem por um direito já adquirido.
Espera-se que toda a sociedade e comunidade escolar busquem a realização de seus direitos e impulsionem seus governantes a terem mais seriedade naquilo que lhes competem, fazendo a utopia da verdadeira educação inclusiva, tornar-se algo concreto, palpável e seja motivo de orgulho para toda sociedade brasileira, já que de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Especial, “inclusão não significa, simplesmente matricular as crianças com necessidades especiais numa escola regular e ignorar suas necessidades específicas, mas significa dar ao professor e a escola o suporte necessário à sua ação pedagógica” ( MEC-SEEP, 1998).
Conforme Gadotti “[...] a educação só tem sentido na medida em que é concebida como ação visando à participação e a autonomia. A educação é um processo de transformação do indivíduo e da sociedade. A escola não pode ficar isolada das lutas mais globais da sociedade”.
Portanto, família e escola devem caminhar juntas, construírem forças políticas capazes de desprenderem todas as correntes que impedem a educação inclusiva a dar passos mais largos. Precisamos ousar e correr o risco de sermos perseguidos, combatidos e até mesmo ignorados, mas, ter consciência de que se pelo menos um dos apelos da sociedade escolar for ouvido, valerá a pena, pois assim estaremos contribuindo para uma educação inclusiva mais justa e concreta.
Precisamos sim, deixar nossa marca na história!
CONCLUSÃO: A Educação Inclusiva hoje, precisa ir além da dialética, medidas urgentes devem ser tomadas, sair das quatro paredes faz-se necessário, conscientizar a família a exigir que seus direitos sejam respeitados e efetivados pelos governantes que fingem desconhecerem algumas de suas obrigações é indispensável. Porém, vale lembrar que educação e política não podem trilhar caminhos opostos, ambas são dependentes, já que educação não se faz só.
Transformar o meio e libertar aqueles que se permitem alienar pela classe dominante é um difícil passo a ser dado, mas necessário para quem pretende vivenciar uma Escola Inclusiva comprometida com a aprendizagem e o envolvimento de educandos e educadores no duro, porém fecundo exercício do saber.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Senado Federal. Estatuto da Criança e do adolescente – ECA nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, 2006.
GADOTTI, Moacir, Concepção dialética da educação: um estudo introdutório.11º ed. São Paulo: Cortez,2000.
REVISTA de educação AEC: O papel político social do professor. v. 26, nº 104, jul / set. Brasília, 1997.
UNESCO. Declaração de Salamanca e linha de Ação sobre Necessidades Educativas Especiais. Brasília: CORDE, 1994.